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3.2.17

Todd Solondz bom pra cachorro

A relação deste falante que aqui escreve com Todd Solondz é caso antigo. Tudo começou em “felicidade”, seu mais aclamado filme, e até os dias de hoje é certo que a felicidade nunca acaba. No roteiro de Wiener-dog (2016), seu mais recente filme, a personagem principal não fala, pois é um animal que transita entre pessoas que não se conhecem nem mesmo se ligam. Um cachorro passeia o filme todo entre cidadãos que não se conhecem, de modo que se torna uma espécie de testemunha-ocular das realidades destes sujeitos. Esta montada a sinopse do filme. Até ai, sem Freud à vista. Com efeito, este escrito não é uma declaração de amor pela obra de Todd, ainda que o ato seja elogioso, dado que ele criou um cachorro-passageiro para mostrar que as pessoas sofrem, vivem sozinhas e não vislumbram um propósito maior para suas existências. De um menino em tratamento de câncer, uma jovem cuja infância foi “puro bullying”, um excêntrico acadêmico a uma idosa reclusa – é a vida durante a guerra, a batalha de procurar um sentido vital e não encontrá-lo. É válido dar contorno aos termos. O que aqui se nomeia "sentido" pode ser entendido como ligação.





Freud anunciou a pulsão de vida como um movimento de encontro do sujeito com elos exteriores, não por menos, a paixão e a atividade sexual são capazes de trazer um sentimento de estar vivo. Wiener-dog, em oposição, retrata a pulsão de morte, o gradual retorno ao inanimado enquanto ainda se respira, logo, pessoas e ideais estão morrendo. Há seres que diariamente morrem de saúde, velhice e, absolutamente, de falta de desejo. Para além da morte no plano do sujeito, há também a destruição de ideais socialmente firmados, tais como: a família perfeita pautada no amor genuíno e inabalável de pais para com filhos e vice-versa; a descrença num plano existencial planejado por Deus e o ceticismo quanto a um futuro melhor. Tudo à caminho da decomposição. E o que resta? A finitude. No roteiro do filme, há pessoas confrontadas com o fato de que suas vidas são uma passagem. As personagens parecem desiludidas bem como se encontram “deslibidinalizadas” – a energia de ligação parece ausente entre elas. Pode-se assim visualizar uma oposição entre as pulsões de ligar, por um lado, e as de destruir e silenciar, por outro, de modo que as últimas é que predominam. Trata-se, portanto, de uma abordagem curiosa sobre a desunião dos corpos, pois nem sequer o vínculo entre pais e filhos é marcado por um nítido elo afetivo-emocional, em suma são pessoas sozinhas e sem rumo desde cedo. Cabe ainda a questão: há algo capaz de unificá-las? Pode-se dizer que um elemento liga estas personagens, mas não as unifica. O cachorro. Este é um objeto transitante, sem lar ou passado, que não se incorpora em uma família, não forma elo, apenas acompanha pessoas entregues a um cenário desolador. O animal diz da condição de seus temporários donos, pois ele recebe nomes de finitude, tais como “merda” e “câncer”. Todd, mais do que nunca, desvela que tudo esta destinado a morrer. A referência, contudo não é à morte física em si, mas ao desligamento dos corpos. Logo, é possível se pensar na pulsão de morte em termos de separação corpórea, como exemplo, tem-se a solidão enquanto realidade social. No filme aborda-se a transitoriedade das coisas, a perda de vínculos de amizade e a dificuldade em formá-los. Nota-se que estar só é uma condição em si, da infância à velhice. 

Mas, se tudo esta destinado a morrer, vale a pergunta: o que é duradouro hoje? Visualiza-se no roteiro a existência de algumas possíveis constâncias, isto é, condições mostradas que parecem não se alterar por um período de tempo. Antes do total silenciamento para o qual a história culmina, certas condições se mantêm na vida das personagens, destacam-se quatro: o tratamento de câncer da criança; a viagem na estrada; os problemas de comunicação do professor e a solidão da senhora idosa. Tais personagens existem em realidades paralelas, nada sabem, portanto, uma da outra. E mesmo quando acompanhadas, estão sozinhas. Uma energia libidinal capaz de uni-las, manifesta no amor e no contato sexual, é quase uma condição quimérica. É notório, portanto, que com esta exposição acima é improvável, mas não impossível, que seja-lhes suscitado o desejo em ver o filme. De algum modo a felicidade nunca acaba, já que cada filme posterior de Todd faz alusão a sua obra central. De “Felicidade” até “A vida durante a guerra” terá a abordagem de Todd se tornado mais pessimista? Ou realista? O destino será a finitude em si ou a certeza do destino de não haver mudança ou superação?

Vocês decidem,
Renato Oliveira

10.3.14

a vida durante a guerra

A sorte de hoje é que você não é a personagem principal deste filme. Agradeça ao Universo por isso. Afinal, o maestro da presente ópera é mestre em selecionar pessoas em lugares públicos para transformá-las nos agentes de seus pesadelos. Tudo acontece porque a sociedade existe e funciona exatamente do jeito que você esta pensando. E sim, ele continua afim de expor certas verdades: Todd Solondz!!!

Não há dúvida de que os trabalhos de Todd são “a cara do Cine Freud”, são filmes que nos permitem uma ácida revolução sem sair do lugar de modo que elaboremos alguma coisa sobre o homem hoje. Exato, homem como sinônimo de humanidade. Hoje você irá rir e chorar internamente e não há dúvida de que o principal infeliz da história não estará aqui para se defender. Com efeito, a narrativa é sobre um homem que não queria crescer – ou será que ele não podia? Nós iremos desvendar alguma coisa de muito singular a ser extraída do galope deste cavalo negro | Dark Horse (2011) |.


Os personagens criados pelo fulano anteriormente citado geralmente são seres excêntricos, com um senso de observação da realidade e cativos às suas próprias ilusões. Se comparado com os demais, eles estão sempre em outro ritmo. Abe | Jordan Gelber | era assim e numa festa de casamento ele observava desinteressadamente pessoas eufóricas que dançavam como se não existisse amanhã. Nesta ocasião ele flertava com Miranda | Selma Blair | e sem insistência alguma conseguiu obter o telefone da jovem moça. Claro que ele almejava sair com ela, e por essa razão a contatou no dia seguinte. Ademais, em sua casa, ele se esquivava de qualquer proximidade com seus pais e se refugiava em seu próprio mundo – o fatídico quarto, um espaço repleto de heróis em miniatura, brinquedos, figuras de aviões, carros e afins.


Nosso camarada dirigiu-se também a uma loja de brinquedos, e com a mesma imponência com que tratava seus pais e pessoas da empresa, ele exigiu a troca de um “herói de plástico” que continha um “defeito”, isto é, um pequeno risco. Vale desde então considerar a existência do interesse de Abe por “brinquedos perfeitos” e pela conquista daquela jovem bonita e “não quebrada”, mas ao mesmo tempo tomada por uma apatia abrupta! Exato, no dia do encontro, ela parecia não se recordar de ter firmado algum compromisso com ele, e os assuntos da conversa não poderiam ser mais peculiares: adoção, consumo de cigarros... Câncer nos testículos (sim, em ambos). E sim, para Abe, acertar a lata de Coke Diet na lixeira valia dois pontos. 


Mas acontece que havia um cântico de esperança para ele. Em seu carro, ele ouvira uma música que dizia o seguinte: “hoje será o dia perfeito para viver a sua vida e fazer qualquer mudança. Você pode ser quem quiser. Dia de levantar e escolher seu próprio caminho. Agora é a hora de procurar o céu”. Inspiração máxima! Tanto que nesse mesmo dia ele pediu Miranda em casamento. Ela teria todo o tempo para pensar a respeito. Eloquência e intrepidez não faltavam ao jovem moço! Indiferença, também não: em sua volta a casa dos pais, sua atitude para com eles era de pleno descaso. Devo declarar que tempos depois, a resposta dela ao pedido foi: “quero querer você, é o que me basta”. E ao beijá-lo, concluiu: “isso não foi horrível, as coisas poderiam até ser piores”.

É certo que um fato estava posto em cena: Abe se relacionava com as pessoas empregando constantemente o mecanismo de divisão, para ele os objetos estavam cindidos em seres idealizados (Miranda) – para com a qual ele se comportava como uma “criança feliz e esperançosa” – e seres desprezados (seus pais, funcionários da empresa, e o mundo em geral), e para com esses sua atitude era de notória revolta. Ele rejeitava uma aproximação aos mesmos, enquanto frente a ela se mostrava muito mais falante, flexível e demandante. Na idealização havia a presença de amor, confiança e entusiasmo, enquanto para com os objetos da outra categoria supracitada, é a indiferença, a desconfiança e a hostilidade que imperavam. 


Para ele, o casal parental era concebido como uma união imperfeita. As ansiedades suscitadas pelo mesmo eram amenizadas na fantasia inconsciente de Abe também mediante a divisão. Ora, Jackie | Christopher Walken | era ao mesmo tempo pai e chefe, ambas as posições que se associam a um lugar de poder. É bastante provável que a indiferença de Abe para com ele ocultava um real temor desta autoridade bem como um inconsciente sentimento de inveja edípica primitiva. Em conversa com Phyllis | Mia Farrow |, sua mãe, nosso cavalheiro murmurava: “papai é tão babaca. Quero dizer, eu sempre sou tão legal com ele. Por exemplo, mostrando como ligar a TV e outras coisas”. Ele mencionou, inclusive, a hipótese de fugir de casa. Em relação à figura materna, contudo, o relacionamento tinha uma configuração distinta, pois, primeiramente, esta era posta em cena como “a outra peça do jogo edípico”, afinal, eles disputavam dinheiro no jogo de gamão e esta lhe devia 845 dólares. Como uma criança que não suporta ouvir “não” ou “espere mais um pouco” ele revogava que lhe fosse destinado um cheque como pagamento. Ademais, ela era um ser compassível, colocada e sentida como mediadora no embate entre pai e filho “já crescido”.


Este cenário complementa-se, por fim, com a figura do irmão Richard | Justin Bartha |. Não farei comentários referentes a aparência dele. Como talvez dissesse Freud: tirem conclusões da experiência de vocês em ter um irmão médico, brilhante e bem sucedido em todas as áreas da vida. Claro que Abe o odiava e que Richard [Dick] era o predileto dos pais, e – agora vem a parte drástica – dizia Phyllis que amara os dois filhos de igual modo, sem acepções. Vamos lá, não há como não elencar a possibilidade de que Dick representasse um objeto ideal de Abe expelido, que na realidade externa era odiado por materializar-se como um ser cuja perfeição era impossível de ser atingida. O ódio e a inveja inconsciente eram torturantes para serem assumidos na consciência de Abe, de modo que para se livrar destes sentimentos penosos, ele os projetava sobre a figura do irmão e o atacava verbalmente, “destronando-o”, como se o mesmo fosse esvaziado de qualidade e quaisquer possíveis dotes. Em sua fantasia, o pênis do irmão e do pai eram sentidos como objetos terrificantes, capazes de atrair o interesse materno e, para além disso, concebidos como superiores ao seu. Abe não podia introjetar tais objetos e uma consequência direta disso era sua hostilidade declarada para com todos de sua família e trabalho, em especial, os homens.


Agora quero saber de vocês: pareceu-lhes uma abordagem de um cavalheiro imaturo, um corpo em proporção de homem com mentalidade de menino? Qual idade mental vocês dariam a esse jovem com menos de 30 anos? Ora, percebe-se que Abe tinha um ego integrado, porém imaturo, com discursos e comportamentos muito pouco concisos. A sua divisão de objetos em bons e maus o fazia portar-se como um “ventríloquo feliz” diante de uns e um “rebelde sem causa” junto a outros. Ele não assumia as responsabilidades do trabalho e não via sentido em ser corrigido por quaisquer erros. Faltava-lhe princípio de realidade?

O mecanismo de divisão é por si só um recurso absolutamente primitivo do ego, bem como a projeção excessiva, ambos usados com frequência por Abe. Ele se referia a Justin | Zachary Booth |, seu primo, como um loser (perdedor, em inglês) e a Dick como alguém mais baixo e “super inseguro”. Em sua fala, estes objetos eram esvaziados de bondade e desprovidos de qualquer potencialidade. Ele não conseguia se haver com sua própria destrutividade dirigida contra o casal parental e outros objetos. Logo, para evitar a ansiedade consequente deste fato – bem como seu sentimento de inadequação social (expresso desde a cena inicial no casamento) – Abe atribuía suas próprias características terrificantes a seres reais, sentidos como portadores de toda sua maldade e fraqueza. Ademais, o mundo era um lugar aterrorizador, a este respeito, cabe observar sua descrição do mesmo: “somos todos nós pessoas horríveis. A humanidade é uma fossa da porra. As pessoas se olham no espelho todo santo dia e mentem para elas mesmas dizendo que são bons, que se importam e que amam. Elas só se importam consigo mesmas. As pessoas tratam você como merda todo santo dia, e então agem como se as outras pessoas fossem merda”.


Este discurso acima fomenta um mundo de possibilidades de interpretações. Quero ressaltar apenas uma: o uso de projeção excessiva. Como já mencionado, isso o fazia alterar o sujeito do discurso, ele empregava o pronome “eles” para deformar o sentido de uma frase que lhe dizia respeito. Abe tratava as pessoas como se as mesmas fossem dejetos humanos tendo em vista que essas continham as piores partes de seu self projetadas. Sua ansiedade era constante, pois não sabia como se livrar deste “estado de coisas”. A capacidade de analisar concretamente sua vida e seu comportamento estava dissociada de si mesmo, pois Abe projetou-a em Marie | Donna Murphy |, a qual também exercia uma função superegoica, colocando-o frente à realidade dos fatos – “Cresça! Ninguém precisa de você”.


Há uma cena do filme em que Abe defronta-se com Phyllis e Dick em seu carro, os quais expressavam dizeres mórbidos a respeito dele. A mãe e o irmão eram, portanto, sentidos como perseguidores externos que o acusavam de ser a pessoa que ele era na realidade. Sua ansiedade paranoide o fez tentar se livrar de ambos os objetos. Quero agora enfatizar que no discurso dos perseguidores estava implícita a mesma noção que o sistema social neoliberal nos afirma todos os dias: para ser bom e ter prestígio e aceitação das demais pessoas você tem que vencer, colecionar prêmios e troféus, ser inteligente, bonito e fazer por você mesmo. Você esta sozinho. E se nada der certo, você é o único culpado. O nome de tudo isso em uma só palavra: MERITOCRACIA.


Eu finalizo este intrépido ensaio com essa reflexão. Penso que era aí que Todd queria chegar >>> para ser bom aos olhos de todos, o indivíduo tem que, desde muito cedo, corresponder ao que se é esperado dele. Vale considerar que o mesmo objeto nutridor é aquele que fantasia coisas a respeito do bebê que talvez estejam para além do alcance dele quando for mais velho. Abe é apontado como um nada. Desmorona-se a noção de perspectiva a um homem que deseja casar. Todd enfatiza a construção e ruína da esperança de melhoria ao homem moderno, de reverter insucessos em conquistas. Abe estava realmente fora de forma e fora da forma. Ele era julgado pelo formato de seu corpo e colocado, portanto, à margem daqueles tidos como sexualmente atrativos. Ao mesmo tempo encontrava-se fora da forma de seu tempo (comportamentos regredidos e usos de defesas primitivas) e fora do molde que socialmente era esperado dele. A música dizia: “você pode ser quem você quiser. Hoje é o aqui e o agora. Então viva sua vida, você pode modificá-la”... E qual é o lugar da psicanálise na “esperança de mudança”? Ela garante isso? Quando auxiliamos na condução de um paciente ao conhecimento de suas fantasias e desejos, consideramos que é esperado de nós que ele se modifique com esta experiência?

Você até pode querer ser quem quiser, mas não pense que será fácil, a despeito de por quem se decida ser. E você, por fim, sente que pode ser quem almeja ser? Se uma pessoa não se adaptar suficientemente bem, as demais irão rir dela e colocá-la num filme. E com um pouco de azar, a história dela, ainda por cima, cairá nas mãos de um psicólogo que gosta de escrever tragédias e comédias e piorar o destino de cavalheiros com amorfia.

Felicidades,

Renato Oliveira

27.3.11

a felicidade nunca acaba

Se você pensava que o humor negro havia acabado, tenho o grande prazer em informá-lo que não, hoje notificaremos o seu retorno por meio de alfinetadas e rumores de guerra. Aquele teor satírico de Todd Solondz está de volta! Agora, é possível afirmar que, segundo o dito-cujo, a felicidade nunca acaba. E após esta, o que vem? Após a felicidade vem a guerra, e mais uma vez iremos conhecer caricatos e infelizes personagens, que desta vez anseiam ser perdoados em uma agridoce tragédia chamada “A vida durante a guerra” | Life during wartime – 2009 |.


O roteiro deste trabalho baseia-se em uma idéia originalmente apresentada por Todd em 1998, no memorável filme Happiness. Joy, Trish, Bill, Allen, Helen resolveram dar novos passos em suas vidas. É o tempo de recomeçar e o lema de Joy | Shirley Henderson | passou a ser perdoar e esquecer. Não importava-lhes os infortúnios passados, pois novos tempos adviram, nos quais acreditavam ser capazes de reconquistar antigos amores e alcançar novos modos de ser feliz.

Tratando-se de uma nova etapa, será oportuno mostrar como emocionalmente se encontravam os nossos idílicos personagens. Vamos à um breve panorama daqueles supostos-sujeitos-felizes conforme o percurso de Happiness aos dias de guerra.


Joy, uma fia nomeada por uma felicidade inalcansável. Nos últimos anos trabalhou com presidiários e casou-se com Allen | Michael K. Willians |, um viciado em conversações eróticas via telefone que nos últimos tempos envolveu-se em inúmeras tentativas afim de mudar a sua vida. Eles dialogavam sobre a atual condição de seu matrimônio, sobre as lutas que haviam enfrentado e sobre a possibilidade de um recomeço.


Helen | Ally Sheedy | havia desistido dos escritos poéticos sobre jovens que foram estupradas. Durante estes anos, ela afastou-se da família, e afirmava: “senti-me esmagada pela enormidade do meu sucesso”.


Trish | Allison Janney | mergulhava em um novo relacionamento. Desta vez, um parceiro com maior experiência de vida, com referenciais judaicos e segundo ela, tão normal. Eles riam descaradamente, embora sem motivo aparente. O seu filho mais velho, Billy | Chris Marquette |, estava na faculdade cursando Antropologia, e os mais novos Timmy | Dylan Riley Snyder | e Chloe | Emma Hinz | moravam com ela. Embora se apresentasse enquanto viúva, o seu esposo Bill | Ciarán Hinds | não havia falecido. No final de Happiness, ele havia sido preso após a acusação de envolvimento sexual com dois garotos da faixa-etária em torno de 12 anos. Os filhos mais novos acreditavam que seu pai havia morrido. No entanto, a certeza deste fato foi abalada após a descoberta de Timmy sobre a existência de seu pai, que provocou-lhe furor e ansiedade. Afinal, que pai era este? Para a sociedade local, um estuprador em série – pervert serial. Sendo assim, caberia a Trish apresentar este pai simbólico, numa tentativa de reparação que visava o perdão do filho, após todos estes anos de silenciamento.


Após alguns anos na prisão, Bill foi dispensado e poderia, na melhor das hipóteses, reencontrar uma vida passada. Sendo assim, ele foi a procura de sua família, na busca por um saber desconhecido. Aparentemente, sua condição humana mostrava-se abalada pela ausência dos entes queridos, acompanhada da vergonha em olhar para aqueles que sabiam de seu passado. Ele sentia-se atormentado pelo sentimento de culpa não somente em virtude do ato censurável, mas possivelmente, pelo prazer obtido durante o contato sexual com aqueles meninos.

No decorrer do roteiro, as histórias subjetivas se interligação, as personagens se relacionarão entre si formando uma cadeia de sentimentos, falas e percepções sobre suas vidas passadas. A ausência de perdão pode ser tida como a causa norteadora que determinava os modos de relação daqueles indivíduos.


O perdão é simbolizado no filme por meio de uma tulipa vermelha que Timmy segurava em um parque. Esta imagem era construída mentalmente por Bill no decorrer de seus devaneios e, primeiramente, mostrava-se bastante difusa, até obter total nitidez em sua última aparição, revelando um significado. No entanto, o sonho de Bill em ser perdoado somente se concretizava em um pensamento alienante. Observem que no pensamento havia o desejo de reparação, enquanto na vida, o mal estar e a desconfortável realidade da guerra.


Todd insiste em afirmar a existência de uma vida durante a guerra, mas de que vida e guerra se tratam? A vida pode ser entendida enquanto a passagem daqueles sujeitos pela opressão do existir em sociedade. Diz respeito às inúmeras tentativas de encontrar sentido para um existir, em buscar meios de ser feliz e fórmulas para atenuar o sofrimento físico e psíquico. A guerra, por sua vez, tem um caráter simbólico e pode ser interpretada a partir da luta interna do sujeito contra um desejo inconciliável aos valores morais internalizados. Viver durante a guerra é lutar constantemente contra a angústia do próprio existir, é deparar-se com a afronta do sentimento de culpa e tentar conciliar a força deste sentimento com a intensidade das pulsões que visam encontrar satisfação.


Seria a vida mais agonizante do que a guerra? Para o diretor, viver é tão agonizante quanto estar em uma guerra, pois “perdoar e esquecer” é uma ilusão. A dificuldade em perdoar está relacionada à insuficiência das tentativas humanas em esquecer os erros cometidos pelo outro. E sendo assim, a ausência de perdão é capaz de intensificar a auto vigilância do sujeito diante de novas possibilidades de erro. Nesta ótica, a sociedade seria uma espécie de comunicação coletiva entre aqueles não-perdoados, e que, por sua vez, também não perdoam.


A felicidade nunca acaba e a guerra continuará. Embora pareça-nos contraditório, esta afirmação reflete os pontos de vista de Todd que postula a continuação da guerra e da felicidade. Ainda que de modo difuso, a imagem de uma tulipa nas mãos de uma criança, e o desejo de reparação permanecerão inconscientemente sobre o sujeito. Haverá um sonho acompanhado de uma promessa social para mudanças, “o vermelho para o amor e o branco para se desculpar”, conforme foi dito. Será uma ilusão? por ora, resta-nos portanto, uma certa sensação agridoce e uma sutil indignação diante desta contrastiva forma de fazer e viver guerras.

Abraços,

Renato Oliveira

23.3.11

Após a felicidade vem a guerra.  
EM BREVE.

15.6.10

Fofuras bizarras

“A ironia está nos olhos de quem vê”, péssima adaptação, eu sei. Mas acredito que esta foi uma das minhas conclusões após ver os trabalhos de Todd Solondz. O seu modo de tratar as questões da sociedade norte-americana nos convida a conhecer uma realidade sem máscaras.


O filme “Bem vindo à casa de bonecas” | Welcome to the Dollhouse – 1995 | é um convite ao riso embora não se trate de uma comédia. Humor negro, talvez. Se provocar uma condição de riso pode ser capaz de promover reflexão, esta certamente foi a aposta do diretor. A casa de bonecas é composta por: Sr. e Sra. Wiener, Dawn, Missy e Mark Wiener.

Dawn | Heather Matarazzo | é a irmã do meio entre a picorruxa fofinha Missy Wiener | Dalina Calinina | e Mark Wiener | Matthew Fabber | um geek conhecedor de computadores e aspirante a talentoso. O desenvolvimento da história nos mostra que as situações não favorecem os anseios de Dawn em ser aceita, querida e desejada. As clássicas cenas daqueles que são traumatizados em uma High school foram apresentadas em uma abordagem muito peculiar.


Sejamos claros que estereótipos de “fulana, a feia” já se tornaram banalizados e não há nada de inédito nisso. Porém, Todd parte deste estigma (ainda menos convencional a época) para mostrar o cotidiano daqueles que estão fadados a uma condição de escárnio. A ótica do diretor não se restringe em retratar o bulling, mas visa afirmar que os valores e comportamentos da família não são mais os mesmos.

Dawn é aquela que transita entre ser criança e uma mocinha não completamente desenvolvida, ela é estigmatizada como um ser frágil, feia, repulsiva, sem voz e sem lugar, ou seja, um escárnio social. Há uma cena muito curiosa em que ao ir ao banheiro, ela é surpreendida por uma menina que a obriga a utilizá-lo com as portas abertas, prestando-se à observação e impossibilitando-a de reagir a esta afronta. Ao perguntar-lhe o porquê desta atitude, Dawn questiona: “Por que você me odeia?”. Francamente lhe é dito: “Because you is ugly” - “Porque você é feia”.


Os infortúnios de Dawn se estendem à suas relações com a família. A intolerância vivenciada na escola é igualmente observável na concepção de seus pais. Há um jogo de diálogos que articula o sarcasmo, a discriminação e a própria distinção do amor e atenção que é direcionado àqueles três filhos.

A condição humilhante de Dawn a conduz a uma maneira muito específica de lidar com os objetos. Ao construir o Special People Club ela tenta incluir aqueles que de algum modo são significativos para si, em sua fala é perceptível que estas pessoas especiais são aquelas populares, confiantes em si mesmos e acima de tudo, bonitos. É o reconhecimento de uma falta que a leva a super estimar e invejar os que são portadores do que é faltante em si mesma.


Portanto, casa de bonecas: um lugar de doçura, de coisas fofas, do encanto, magia, brilho, beleza, amabilidade. Aonde? Todd aponta: conheçam um LUGAR REAL. Este lugar afirma a própria indiferença dos pais em relação aos filhos que não correspondem à seus ideais. Os objetos desta brincadeira são: martelo e serrote, com os quais Dawn corta a cabeça de uma das bonecas de Missy e sente-se impulsionada a martelar a própria irmã enquanto dorme.

As tentativas de Dawn em reverter esta situação de desgraça são repetitivas, frustradas e insuficientes porque socialmente não lhe era permitido ser outra pessoa, ela havia sido eleita por aqueles que a rodeavam a uma condição de riso, escárnio e zombaria.


O riso possui um significado e uma determinação inconsciente podendo estar relacionado às pulsões de agressividade. Portanto, “não rimos apenas por rir”. O escárnio pressupõe lugares de poder e o ridículo ilustra o lugar do fraco. Há um prazer obtido no encontro com aquele que demanda sofrimento, pois é justamente o seu silenciar que potencializa o gozo do outro e afirma a potência do agressor. Logo, é a própria sociedade que elege aqueles com os quais quer zombar. Há um lugar do não-ter e não-ser observado no massacre que sugere à alguns que não saiam de seu lugar comum: desempregados, tímidos, feios e loucos. Determinam-se assim os “nada-ser”.


Todd Solondz é nocivo para aqueles que acreditam que a família é completamente boa. A idealização da família tradicional é algo que não mais se sustenta. Suas críticas levá-nos a questionar a eficácia dos valores éticos e religiosos que impõe ao sujeito o dever de amar o próximo como a si mesmo. Constantemente presenciamos o massacre social sobre aqueles que refletem o lugar de “não-ter” e “não-ser” aos quais de algum modo é dito: “não saia de sua condição introspectiva”.


Portanto, todos somos bem vindos ao lugar em que o ridículo é exposto para que seja possível refletir sobre o uso que é feito de serrotes e martelos nas mãos daqueles que, como Dawn, tentam sair do lugar comum.

Abraços,

Renato Oliveira

3.5.10

De trás para frente, nada se altera.

Quando me proponho a escrever sobre Todd Solondz ou rever seus trabalhos sempre me questiono: como alguém consegue ser tão persuasivo? Sarcasmo e humor negro não são o suficiente, há algo além.

Na última vez que analisei um de seus filmes, eu disse o seguinte: “seus trabalhos são o preto no branco do desejo”. Agora, em Palíndromos | Palíndromes – 2004 | esta proposição novamente se confirma, pois o próprio filme se inicia a partir do desejo de uma menina, ainda criança, em ser mãe. Este desejo será apresentado sem máscaras, desprovido de qualquer brilhantismo ou idealização. Antes de mais nada, há uma sutileza já presente no título: palíndromo é um termo atípico mas bastante compreensível que diz respeito à frases ou palavras que mantém o mesmo sentido quando lida de trás pra frente. Há uma listinha super no Wikipédia


Um palíndromo mostra que independente da ordem, há a prevalência do mesmo. A menina que desejava ser mãe chamava-se Aviva, e esta denotação do seu nome traria todo significado à mensagem que o diretor pretendia expor por meio de diferentes atrizes que representariam Aviva, cada uma em uma fase específica. Aos seis anos Aviva desejava ser mãe, o seu discurso já evidenciava tal desejo e aos 13 anos este se mantinha de tal modo que ela engravidou.


Um abalo para seus pais, no mínimo. Estes se pautaram na seguinte concepção: ela é incapaz de exercer esta função. Com base em diálogos frios e realistas, Todd aborda a problemática do aborto como modo de sustentação do desejo dos pais.
 
Na impossibilidade em chegar a um acordo, este aborto ocorreu a partir da intervenção dos pais, o qual não apenas retirou aquela criança, mas privou Aviva de uma futura gestação. Podemos pensar que já havia uma identificação entre Aviva e o bebê, uma relação libidinal já estabelecida desde a infância e sua retirada foi certamente tida como dano, ocasionando uma sensação de desorganização interna. Esta ação repressora retirou o bebê porém o desejo permaneceu, o qual a conduziu à novos rumos ilustrando a típica cena da adolescente que sai de casa, mas com resultados além do esperado.


Esta fuga a fez aproximar-se de pessoas com as quais acreditava ser capaz de encontrar um novo vínculo. Há uma brincadeira com o acaso que se apresenta pela desorientação daquela jovem, fazendo-a caminhar numa estrada sem rumo, relacionar-se sexualmente com um estranho e localizar um abrigo. À cada fato descrito apresenta-se uma nova atriz, porém trata-se da mesma Aviva. O seu humor deprimido parece representar uma falta não simbolizada, pois a verdade de seu desejo não havia sido expressa.
 

Um encontro bastante sutil ocorreu ao localizar o abrigo “Mama Sunshine”, uma espécie de reformatório cristão para crianças com algum tipo de déficit físico ou cognitivo. Este ficava próximo à um terreno baldio no qual bebês eram ejetados e a missão acreditava que no encontro com o Divino seria-lhes dado um novo significado para suas vidas. Eu acho interessante que há relatos de casos de crianças que seriam abortadas mas por algum motivo, vieram a nascer. Com base nas deformidades recorrentes do nascimento pode-se ver que o diretor não pretende justificar ou repudiar tal prática, mas mostrar os possíveis desdobramentos da decisão de ter um filho. Todd também questiona o modelo americano que busca construir “cidadãos melhores” e os meios usados para isso, apresentando que as vias repressoras potencializam “quadros iguais” por não existir espaço para reflexão.


Neste trajeto Aviva encontrou novas fontes repressoras assim como se deparou com a hipocrisia humana e a falência do poder religioso em sua tentativa de retirar o desejo daquele que tem falta.

Há um palíndromo que está bastante claro e o tempo todo se apresenta neste filme: reviver. O sujeito busca constantemente REVIVER o seu desejo, ainda que por meio de diferentes faces, de trás para frente a situação é a mesma. O desejo em ser mãe pode ser compreendido a partir deste reviver que consiste numa compulsividade à repetição na qual será revivido as experiências sexuais infantis, mesmo aquelas sob ação de recalcamento/ repressão. Freud levanta a hipótese de que o desejo da menina em ser mãe se desenvolve a partir da maneira com ela vivencia a percepção da diferença dos sexos e sua condição de falta, neste pensamento um bebê vem a suprir esta ausência e trás um atributo fálico (poder) à mulher.
 

O reviver presente no filme pressupõe um ciclo constante, mas também a relação com o mesmo, ou seja, ausência de transformação. Este fato mostra que as ações repressoras foram ineficazes, pois mesmo com a perda do objeto, o desejo não foi retirado e iria se manifestar de outros modos. A sensação de não chegar a lugar algum assemelha-se ao resultado das ações repressoras que  alienam o sujeito da verdade de seu desejo. É justamente esta falência que Todd nos aponta. Assim, é como um desmoronamento da potência religiosa, social e política que tem constantemente falhado em sua tentativa de “construir cidadãos melhores”.

Renato Oliveira

4.1.10

É proibido ser frustrado.

Todd Solondz é um gênio.
Até que se prove o contrário? eu acredito que não será possível.

Posso dizer que seus trabalhos são o preto no branco do desejo. Me admira a maneira a qual ele consegue expressar aquilo que socialmente busca-se ocultar. E assim faz com muita elegância, ironia e autenticidade.

Em outro dia eu falava sobre o cotidiano de pessoas infelizes, lembram? Hoje podemos adjetivar de outro modo: frustrados.
Em Storytelling | Histórias Proibidas | somos conduzidos à uma atmosfera um pouco fria, na qual  temas sociais e políticos são explorados com sátira e realismo. O filme retrata duas histórias sucessivas: "Ficção" e "Não-ficção". São idéias aparentemente assimétricas, dissociadas entre si.

Ficção
o não-projetado além do conto                                    

Este primeiro retrato apresenta o final do namoro de Vi | Selma Blair | e Marcus | Leo Fitzpatrick |, um casal adolescente.
Marcus possui paralisia cerebral e busca investir em seu potencial de escritor. O relacionamento se encerra após frustrar-se ao apresentar sua redação à um grupo de estudantes. Mas não era apenas isso. Ele suspeitava que Vi sentia-se atraída pelo sr. Scott | Robert Wisdom |, vencedor do prêmio Pulitzer, um homem tipicamente arrogante e dono de um suposto saber sobre o outro. De maneira explícita, este expõe todo o seu descontentamento frente as produções escritas daqueles jovens.

Após encontrar o professor em um bar noturno, Vi vai a seu apartamento, potencializando uma possível relação sexual, a qual ocorreu sem maiores dificuldades. Neste momento, se observa um outro desumanizado, é como se esta relação fosse inexistente, uma vez que Vi foi um mero objeto do desejo do outro, um abuso consentido.

Screens editados por Renato Hemesath

A angústia decorrente desta experiência foi projetada na realidade. Na redação escrita por Vi, este fato foi minuciosamente descrito, porém numa condição hipotética. Ao lê-la para o grupo, foi capaz de impactar os demais jovens, os quais definiram o ato sexual como humilhante, desleal. "Mas isso aconteceu de verdade", foram suas palavras.
De algum modo, mostrava-se necessário expôr o conflito, dar voz ao desprezo. Porém, não foi possível sustentá-lo. Antes mesmo de suscitar a abstração daqueles presentes, o professor nega a existência de qualquer comprometimento a isso, e obtém a coesão do grupo. Ponto final.

Não-ficção
do urbano à reprodução

Toby | Paul Giamatti | é um quase-diretor de produções independentes que deseja  filmar documentários explorando situações do cotidiano. Com o objetivo de retratar a problemática familiar, ele encontra Scooby | Mark Webber |, um adolescente entre os dezesete anos que possui características populares de um "garoto problema".

                   
Câmeras instaladas? não havia orçamento para isso, fia. Mediante o consentimento dos responsáveis, Toby se inseriu nas atividades desta família, filmando os principais eventos do dia.
Scooby era o principal foco: o típico desajustado, aquele que espontaneamente afirmava "odeio ler". Pressionado pelos pais à optar por um curso universitário, ele mostra-se indiferente, e alega que apresentar um "talk show" assim como Conan O'Brien seria uma melhor alternativa.

                  
Estava implícito naqueles sujeitos um sentimento de culpa pelo não-cumprimento do ideal imposto socialmente. Os diálogos apontam a frustração que os membros da família sentiam por estar à margem daquilo que pretendiam ser. Eram pessoas distantes entre si, o desconhecimento do outro impedia que eles se unissem harmoniosamente.

Ficção

Não-ficção

O que difere as duas histórias proibidas?
O que houve em uma e foi faltante na outra? Um agente interditor - aquele que exercesse uma função de poder.
Na primeira história, o drama, o conflito não pode ser conhecido como tal, o professor exerceu esta função. A idéia manteve-se numa condição hipotética (redação). A fala que faz sofrer foi vedada pelo Outro, o qual determinou como deveria ser.
A segunda história proibida desvendou uma situação mais concreta. O proibido foi gradualmente conhecido entre aquela família, eles puderam se deparar com a angústia de não ser quem gostariam de ser. As filmagens tornaram-se um registro da realidade, da condição atual de suas próprias vidas, portanto: não-ficção.

As nossas vidas também são governadas por um Outro: Inconsciente, política, líderes, sistemas religiosos, paixões. É válido refletir até qual ponto nos alienamos a partir da censura que nos é imposta. O que é proibido em nossa própria história de vida pode conter os elementos fundamentais para transformação, conduzindo-nos a uma existência mais favorável.

O conhecimento do conflito e a possibilidade de expressá-lo são realmente fundamentais. Eu acredito que as relações humanas seriam melhores caso as pessoas se sentissem confortáveis para mostrarem-se como acreditam ser. Assim, acho válido repensar sobre os significados que atribuímos à censura e moralidade.

Um grande abraço à todos.
Renato Oliveira